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sábado, 26 de janeiro de 2008

Observando...

Números. Equações. Pequenas estratégias com as quais certas pessoas ocuparam uma vida. Pessoas cujos nomes ignoramos, desconhecemos.
‘’Quem inventou a Matemática devia morrer!’’-dizem eles. Mas eles não sabem. Eles vivem na ignorância. Vivem para rebaixar quem se dedica, quem já se rebaixou também. Vivem para apanhar bubadeiras até cair para o lado, mandar mensagens que consideram úteis, fazer figuras ridículas. E ridicularizam quem veio ao mundo para ser diferente. Quem não é ridículo, quem não cai no precipício que é a adolescência.
‘’A vida é curta, temos de aproveitá-la!’’-dizem eles. E o que é aproveitar? É revoltar-se contra os pais, que só anseiam que as suas pequenas criaturas sejam felizes? É reclamar, protestar com tudo o que vai contra a sua estúpida ideologia?Está tudo distorcido nesta mísera fase, até mesmo o conceito de aproveitar. A rebeldia torna-se ridícula porque naquelas mentes significa fumar ganzas, não estar consciente, dar nas vistas.
‘’O que é bom é para se ver!’’-dizem eles. E o que é bom? Grandes decotes, grandes mamas, rabos rechonchudos? Quando tudo isso significa uma mente vazia, com a qual não se consegue manter uma conversa sem tocar no limite do ridículo?Quando tudo o que se ouve por aí é que a ‘’maria-não-sei-quem’’ beijou o ‘’sabe-se-lá-que-tal’’, ‘’sabe-se-lá-porquê’’?
Observo-os. Tento fechar os olhos ao que me parece menos aceitável. Engulo em seco. S~
Ao desproporcionais. O tamanho exterior em nada coincide com o tamanho psicológico. Corpo de adulto, mente de criança. Valorizo quem não se destaca. A pequena minoria que não cheira a adolescente. Encontro compreensão em quem não dá nas vistas. Quem só anseia estar no consolo da sua paz interior.
‘’És demasiado madura para a tua idade!’’-dizem eles. E agradeço por assim ser. Por encontrar serenidade nas coisas que a maior parte considera ‘seca’.
Que me chamem maluca. Que me chamem o que quiserem. Não importa. Nada importa. Só importo eu e o meu mundo. Não os mundo que parecem ser normais e que, quando conhecidos, são básicos.
Terror. Pânico. Conhecem mil rabos de saias, conhecem as discotecas mais afamadas de Portugal e arredores. Mas não se conhecem a si mesmos. Não conhecem a sua mente, onde não se afundam porque, simplesmente, têm ‘’mais que fazer’’.
Ignorância, é aquilo que definem como o estado mental de pessoas que não são como eles, que consideram a vida mais do que uma saída á noite.
Por isso escondo-me. Escondo-me na máscara da normalidade distorcida. De vez em quando, deixo escapar um pouco de mim. De vez em quando, alguém me chama maluca. De vez em quando, alguém que ridiculariza. Porém, de vez em quando, alguém me descobre. Alguém me compreende. Alguém me faz companhia nesta torre de vigia. De vez em quando, alguém permanece comigo.
E aqui estou eu, observando. E, de vez em quando, alguém observa comigo também.

2 observações:

suz disse...

Não sabes as vezes em que me sentei sozinha nessa torre de vigia. Pelos vistos não era a única...

Pedro Duarte disse...

Há pelo menos uma coisa em comum entre os "normais" e os "não-normais" : a insuportável dúvida da existência, a constante dificuldade no auto-conhecimento. O que difere é no modo com que cada grupo lida com ele.

 
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