terça-feira, 28 de outubro de 2008
O silêncio
Escrito por Paulinha eram precisamente 17:55 105 observações
domingo, 13 de julho de 2008
Desafios, prémios e outras coisas bonitas
A minha ausência já se nota mas nem assim deixo de visitar os vossos cantinhos- que
me acolhem tão bem!
Em primeiro lugar, vou responder a um desafio vindo da *Star* in B* flat, que consiste em enumerar 8 coisas que quero fazer antes de morrer e escolher 8 blogs a quem passar o desafio. Cá vão:
1- Publicar um livro, uma colectânea dos meus 'devaneios mentais' e dedicá-lo á Patrícia.
2-Viajar sozinha para um lugar qualquer onde pudesse observar e reflectir, reflectir muito.
3- Matar um pedófilo.
4- Formar-me, arranjar emprego e ter tempo para tirar psicologia em simultâneo.
5- Dar um mergulho ao nascer do sol.
6- Comprar uma casa com vista para o mar.
7- Encontrar aquele alguém com quem possa expressar-me e sentir-me completa.
8- Agradecer, de alguma forma, á minha família que sempre esteve ao meu lado.
Bom, acho que completei a ideia. Não me sinto no direito de nomear 8 blogs, já fui desafiada há tanto tempo. Mas deixo em aberto para alguém que passe por aqui e ainda não o tenha feito. Espero que aceitem.
E agora o prémio 'friends' vindo do blog da paddy:
Obrigado pela atenção. O teu blog é daqueles que não deixo de visitar, há sempre um sorriso ou gargalhada para saborear cada vez que lá vou.
Passo-o á Patrícia ( porque sei que adoras a série, mesmo que tenhas de a ver sentada no chão xD), á Su, á Lia, á Mafalda e á Ironia.
Escrito por Paulinha eram precisamente 18:57 19 observações
quinta-feira, 19 de junho de 2008
Cicatrizes
Solta um leve suspiro que o silêncio da noite abafa. Agita-se. Caminha num beco escuro, nas ruas de uma cidade agitada, entre drogados e mulheres da vida. Sente o cheiro a desodorizante barato misturado com o cansaço de um dia de trabalho. O odor entra-lhe pelas narinas e aloja-se no cérebro, como mais um testemunho da sua própria existência. Escurece cada vez mais. O medo apodera-se daquela estação de comboios e senta-se mesmo ao seu lado. Ela põe-se a pensar, faz um balanço quase inevitável daquilo que é a sua vida. A angústia tomou conta da sua própria alma. Com ela, vieram os comprimidos que não podem faltar na mala e na mesa de cabeceira.’’Só mais um não fará mal...’’ . O comboio parece ter-se atrasado, como sempre se atrasou toda a sua felicidade. Até que ponto necessita de continuar a resistir? Depois de tanto sofrimento, quem irá um dia dizer-lhe que valeu a pena? Acaba de ficar sozinha. O medo, agora, é apenas de si própria. O comboio não chega. Desce um degrau, talvez o mais longo que já desceu durante toda a sua longa jornada. Apaixona-se por aquele piso, o último relevo que os seus pés irão testemunhar. Pés, costas, agora cabeça. O céu não podia estar mais escuro. Despede-se das estrelas. Ouve um estrondoso apito, ao fundo. Com ele, a luz mais brilhante que alguma vez viu. A felicidade, agora que apanhou o comboio da morte, parece chamá-la.
Um sobressalto. O suor ainda lhe escorre pelo corpo. Abre energicamente as pálperas e dá um impulso na cama. Já passou, foi só um sonho. Relaxa. Volta-se para o outro lado, no seio de lençóis que aparentam abraçá-la.
‘’Para quê ter medo dos sonhos, se o verdadeiro pesadelo está á sua espera quando acorda?’’
Adormece.
Escrito por Paulinha eram precisamente 18:41 13 observações
terça-feira, 17 de junho de 2008
Copy paste
Onde pára a ciência? Onde estão os limites para a tecnologia? Fará sentido falar em barreiras para o infinito?
Cada vez mais, o Homem e apenas o Homem tem vindo a remexer em todas as peças deste jogo que é a Natureza. E tudo parece fazer sentido até ao momento em que algo corre mal. Tudo parece melhorar até ao instante em que destruímos a nossa própria matéria-prima.
E o que são, então, os limites? Diz-se que a nossa liberdade acaba onde começa do outro. Não estaremos a ir para lá da filosofia e dos valores morais quando falamos em clonagem?E, agora, podemos colocar-nos sob duas perspectivas: Escolhemos o caminho do optmismo e afirmamos que a clonagem pode ser útil para ultrapassar os problemas de infertilidade de alguns casais, curar doenças, melhorar o sucesso de transplantes de órgãos ou até mesmo tornar um outro alguém genticamente igual a nós mesmos; ou interpretamos tudo isto com pessimismo, já que não deve ser assim tão benéfico diminuir a variabilidade genética,acabar com valores morais e sermos colocados no mundo a partir de um grupo de cientistas que mal iremos conhecer , com alguma intenção. Para ilustrar, temos o exemplo da clonagem de soldados para a guerra. Que personalidade teria alguém sem bases educativas e com destino traçado antes de existir?
E, como sempre, reflectimos. Paramos para pensar e somos obrigados a decidir em que perspectiva nos colocamos sobre um tema a que nos coube explorar. Não poderá existir um meio-termo?A clonagem pode ser útil, sim, para fins terapêuticos. É moralmente aceite quando utilizada para melhorar a nossa sobrevivência, para diminuir o sofrimento, para criar um melhor estilo de vida, como toda a tecnologia nos permitiu até agora. Porém, a clonagem passa para o ‘’lado negro’’,quando é usada para o rejuvenescimento ou para nos disponibilizar um ‘’catálogo’’ de escolha de seres humanos.
Porque existem peças de teatro em que devemos ser apenas espectadores. A Natureza é uma delas.
Escrito por Paulinha eram precisamente 21:16 9 observações
sexta-feira, 30 de maio de 2008
Pretérito imperfeito
Um rio. Meia dúzia de barcos, um cais, uma via-férrea. Gentes. Repousam o corpo, sentadas. Varrem os problemas com uma ginástica mental que envolve todo este ambiente. Evitam agonias, afastam contrariedades e refugiam-se neste jardim. É urgente viver.
Roubaste-me a vida, sabes? Arrancaste pedaços do meu coração com crueldade, guardaste-os e não mais mos devolveste. Privaste-me de sonhar porque abafaste toda a minha reflexão. Preciso de pensar, de emergir no meu próprio ser e não o faço porque lá estás. E agora, quem sou eu? Olho á minha volta, nada se resume a um sentido concreto. A subjectividade apoderou-se do mundo. Transformou casas em modos de viver, estradas em caminhos do destino e pontes em ligações afectivas. Transformou-te a ti no meu herói, no meu sorriso, no meu olhar, no meu ser, e, não conseguindo decidir-se, deciciu tornar-te no meu lado negro, na minha melancolia, no meu grito de alma. Vejo-me mergulhada num rio sem corrente alguma, estagnada de qualquer rumo. Consigo sentir-te a puxar-me para baixo, a quereres que fique, a impedir que me salve. Mas eu vou. Nado, luto, encontro a foz deste infindável troço de água suja. Chega de ti, de um nós que já tornaste tão feio, que já me cansa só de saber que existe. Existe? Chega de adormecer com o apoio da tua mão que parece ter desaparecido sempre que acordo.
É a minha vez de varrer os problemas aqui, neste jardim. E o meu problema sempre foste tu. Sempre tu. Foste tu.
Escrito por Paulinha eram precisamente 23:15 12 observações
quarta-feira, 21 de maio de 2008
Filhos da dor
É uma alma. É um alguém que ali está, mascarado de banalidade e camuflado no meio de todos os outros ninguéns que se movem com a corda das suas rotinas. A opacidade da sua tez pálida não deixa transparecer o que deveria ser, há muito, conhecido e veste-se de contrastes. Escolhe as palavras para cada situação em que pousa e deixa-se levar pelas conversas cheias de sentido nenhum. Sorri, sorri muito, mas só alguém que não Deus conhece as lágrimas que escorrem por dentro. Só e apenas ele sabe o que custa cada dia com uma dor no peito, com o coração a cair-lhe aos pés, com a garganta a explodir de tantós nós que sofre. Levanta-se todas as manhãs a arrastar os pés, porque já lhe foi retirada a alegria de suportar o peso do próprio corpo. E procura um outro alguém com os mesmos sintomas desta doença que tanto o devasta. A solidão parece tê-lo rodeado e agora tenta encontrar um pequeno estrago na cerca, já tão antiga, por onde possa escapar. No entanto, traz consigo a esperança. Trá-la á superfície quando as coisas parecem não poder piorar. Agarrada a ela, encontra-se a força. Sim, ele sabe melhor do que ninguém o que é sofrer e é o único a não se queixar. Ele, que deveria gritar quando sai para a rua, deixa isso para as adolescentes que perderam o namorado. Aprendeu a valorizar cada segundo que o relógio deixa passar. Aprendeu a amar a vida que ameaça escapar-lhe e adquiriu invisibilidade. Como ele, existem muitos mais a sofrer a sério. E nós, vamos continuar de olhos fechados?
Escrito por Paulinha eram precisamente 19:05 5 observações
