Um aglomerado de matéria orgânica que veio aqui parar não se tem a certeza como e tão pouco se sabe porquê: assim é a nossa espécie. A vida: a incerteza de um dia atrás do outro que a ti já te parecem tão certos e tão iguais. Olho pela minha janela e vejo gente com aspecto de máquinas, treinadas para fazer sempre o mesmo, sempre á mesma hora. Chama-lhe rotina, a mim surge-me como idiotice. Nascemos, crescemos, mudamos, aprendemos a viver em sociedade e lutamos para arranjar um bom emprego que nos ofereça estabilidade. E acabamos todos por ser um par de pernas que andam na face da terra mecanicamente, até que um dia se transformem naquilo de que vieram: pó.
Então eu pergunto: Onde estão os sonhos? Quem somos nós sem os sentimentos, as emoções, as reacções? Quem somos nós sem os sorrisos ou as lágrimas que caem como a noite sobrepõe a alegria de um sol radiante?
E mesmo assim, tu, ser humano, continuas a desvalorizar as pequenas bijutarias que enfeitam a tua rotina diária, que tanto stress te provoca. Mesmo assim, tu continuas a adormecer os teus filhos mais cedo só para poderes trabalhar até mais tarde. Mesmo assim, tu telefonas para casa a dizer que não vais jantar só para poderes trazer mais dinheiro para casa no final do mês. Então eu volto a perguntar: O que são uma centena de euros comparados com a companhia de quem trouxeste ou de quem te trouxe ao mundo? O que é um reles brinquedo ou um estúpido casaco de peles comparado com o abraço de um pedaço de gente?
E, mesmo assim, tu não vês. Não vês ou não queres ver. Tu, que acabaste de ler este texto, vais continuar como sempre estiveste. E amanhã já nem te vais lembrar dele. Custa mudar, não é? Estás demasiado inserido no mundo do consumismo, dos bens materiais. Não sabes o significado da palavra sonho. Para ti, não são mais que simples imagens que perturbam o teu sono. Eu cá (por enquanto) sonho acordada. E sou feliz.
Fecho a cortina. Está a anoitecer muito rapidamente. Já não há nada para ver. Tu, homo sapiens sapiens, nunca hás-de mudar.
terça-feira, 25 de março de 2008
Sonhos traídos
Escrito por Paulinha eram precisamente 18:39
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13 observações:
Miga, vou privatizar o blog...manda mail para:
srebelo81@gmail.com
beijinhos
Lindo! Adorei ler.
Parabéns e continua (é uma ordem :P)
Beijinhos*
Tantos tantos que pensam assim. O problema é da sociedade que dá tanto valor a bens materiais, as pessoas deixam-se ir...
*
Tens razão...
Hoje vou pensar no que li neste post, mas amanhã já esqueci...
bj sincero
Oh Paulinha..como sofres com os males do mundo... E olha que esse, que descreveste, é sem dúvida um dos piores, um que também me perturba. Andamos a trabalhar que nem escravos para quê? Para disfrutar do dinheiro com quem? Em que dia? Durante o trabalho? Não me parece.
Sei que se têm de fazer sacrifícios numa fase inicial de vida, para sermos bons no ramo profissional, mas chegar ao extremo, nunca dá bom resultado. Passamos a ser uns nada. Desprovidos de tudo, ainda que com os bolsos cheios de dinheiro...
Mais uma vez, gostei do texto. Tu és exemplar, menina!:)
Beijinhos**
É verdade...e porque não haverá de mudar? Se calhar porque não acorda realmente. A sua consciência.
Curiosa esta tua reflexão...sabes, vai na linha de pensamento do que ando a tentar ler de uma maneira ordeira: A Consciência, de Osho. Conheces? Acho que talvez fosses gostar.
beijinhos grandes.
Ontem tentei comentar este post. Não consegui, devido a erros técnicos. Hoje só me apetece dizer que o adorei, que não podia haver melhor forma de descreveres a realidade.
**
Epah, eu gosto de te ler! :)
Mafalda: Assim sendo, eu vejo-me tentada a ordenar-te que também continues. :P Obrigado
Paddy: Pois é, devem haver muitos que pensam assim mas que se vÊm enrolados na massa da sociedade. Um só não é suficiente para tamanha idiotice.
Pipe Shadow: É sempre assim. Mas ao menos foi um dia em que pensaram. Se amanha lerem outro já vai ser mais um dia. Não que ache que vai mudar alguma coisa, é so um descargo de consciencia.
AllenGirl:É, sofro um bocadinho em silêncio. fecho os olhos a alumas coisas, as outras sao demasiado negras para engolir. E vou vivendo cada dia com as minhas reflexões e teorias. Não sou nada. Sou só mais uma á face da Terra que espera não se tornar como a grande maioria. A ambição desmedida, a sede de poder irrita-me. Obrigado !
Su: Não muda mesmo. Já andei a pesquisar, fica na minha lista para quando vir dar uma espreitadela.
Lia: Eu vi o ''comunicado'' no teu blog e pensei : Bolas, sou das ultimas na lista. :P
Obrigado.
Cátia: É? Eu gosto que gostem de me ler :)
Claro que muda!!!
É uma constante evolução...
Lenta, por isso por vezes invisível.
São os sonhos,também meus, que possibilitam essa mudança...
Andei por aqui e gosto do que li.
Volto ...
Zé Manel: São perspectivas. Algumas bem mais optimistas. Se existem mudanças, eu não as vejo. Fico á espera da proxima visita :)
Infelizmente e' uma realidade bem presente no nosso quotidiano =S
Mas penso que ainda me encontro como tu.. a sonhar acordada =)
Beijinhuuuu*
Ironia em pessoa: E enquanto o fizermos não deixamos morrer as crianças que existem em nós. O mais puro.
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