Pelo que foi? Não sei, não me perguntem. Como se o mundo inteiro tivesse explicação… É tão mais bonito assim!
O que tem perde o interesse. Descobre-se o motivo pela cabeça de algum génio e assunto encerrado. Enigmas como o desaparecimento dos dinossauros ou a origem da vida continuam a fervilhar na cabeça dos cientistas e nem assim se tornam desinteressantes. Então porque havia eu de ter um motivo? Não tenciono.
Diria que fui assaltada durante a noite. Quando me levantei, não tinha nem metade daquilo com que me deitei. Substituíram-me a boa-disposição pelo mau humor, a paciência pelo desinteresse e a auto-estima pela vergonha. Não podia denunciar o ladrão porque não havia culpado. Se tivesse atribuído culpas, seria mais um mau sentimento a juntar á minha lista negra. Durante as semanas seguintes tudo foi cinzento. Lembro-me de vestir o meu casaco da mesma cor e sentir que estávamos bem combinados. Não me recordo sequer de avistar um raio de sol que me alegrasse. Tudo parecia estar contra mim, quando sabia que eu é que estava contra todos. Sorrisos? Muito raramente. Palavras amigas? Menos de metade. Justificações, onde estavam elas? Pediram-mas e fizeram-me sentir ainda pior. ‘’Porque é que estamos tão diferentes? ‘’. Eu não sabia e para ser sincera nem queria saber. A indiferença era notável e eu já nem de mim gostava. Como poderia gostar dos outros?
Então eu esperei. Esperei no meio de sorrisos superficiais e de choros calados. Ao tempo, chamei-o incansavelmente. Gritei por ele mais do que a minha voz permitia. E ele veio, de mansinho e foi-me devolvendo tudo aquilo que me roubaram.
E hoje estou de volta. Voltei a mim outra vez. Motivos? Não há mas quem precisa deles? Obrigado, ladrão de sonhos e de esperanças, por me fazeres dar valor ás coisas que ás vezes me parecem tão banais.
Obrigado, tempo, pela devolução do sorriso ao acordar, por pensar que vou viver um dia lindo, tão diferente e tão igual a todos os outros.
Afinal, quem sou eu sem mim?
quinta-feira, 27 de março de 2008
De mãos dadas comigo mesma...
Escrito por Paulinha eram precisamente 12:54
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13 observações:
Linda o texto está um espetáculo...adorei...
P.S. já te enviei convite para entrares no meu blog?
Se n tiver enviado, manda-me mail para:
srebelo81@gmail.com
Beijinhos
Às vezes tudo muda sem que percebamos o porquê, mas acabamos sempre por voltar a nós mesmos.
Ainda bem que voltaste a ti :)
Não somos ninguém sem nós... e ninguém gostará de nós, se não gostarmos de nós próprios...
Ainda bem que já está tudo bem novamente...
;)
Tens razão, motivo para quê? Se há tanta coisa que existe sem motivo nenhum ;)
Desculpa, desculpa a minha ausência. Hoje, final de semana, aproveitei para dar um salto à blogosfera. Esperava ter tempo para comentar vários sítios, porque não gosto de comentar por comentar e preciso de tempo... Mas está no fim.
Fico-me com o título: "De mãos dadas comigo mesma...". Porque eu quero dar as mãos ao mundo e também a ti! Um dia, terás de dar as mãos à Ignota!
Bom fim-de-semana.
"Afinal, quem sou eu sem mim?"
Não consegui ir embora sem reler o teu texto e surgiu-me que deveria acrescentar que... também agradeço ao mesmo ladrão de sonhos e de esperanças, por te devolver essa lúcida alegria e vou atrás dele se os voltar a roubar.
Há dias assim... mas, quando vêm, não deixes que tomem conta de ti, das tuas semanas... do tempo dos teus dias!
Então mudaste de um roxo para um negro? :) Adoptaste essa cor porque se coaduna ao teu estado de espirito?
Paulinha, querida, és tão novinha, para estar no escuro. Estamos na Primavera, precisas de flores, de prados verdes!:)
Beijinhos linda*
Sandra: Obrigado. Não, eu mando-te o mail.
Lia:Pois é, são fases. Más fases.
Rodopia: Somo-nos essenciais.
Cátia: É, mas mesmo assim temos sempre necessidade de justificar tudo.
Ignota: As mãos dadas acompanhadas por um leve sorriso :)
Para a próxima que avistar o ladrão, aviso-o de que existe alguém, ignota por sinal, que irá atrás dele. Há sempre um esforço, embora inútil, para não nos deixarmos ir quando existe algo a puxar-nos para baixo.
AllenGirl: Mudei apenas porque mudei o tema do vista para roxo e a certa altura fartei-me da cor. E como tinha de mudar qualquer coisa, escolhi o blog. Mas nada que tenha a ver com o estado de espirito. Agora já não :)Eu não sonho com prados verdes, sonho com pessoas bonitas. Nunca se deve perder a esperança.
Beijinhos
Isto é assim mesmo: por fases; ora assaltadas ora recompensadas. Um ladrão ou um anjo. Com ou sem asas. E depende do tipo de asas. depende também de nós e da cor do casaco e da forma como deitamos a cabeça na almofada e dirigimos os sonhos e depois como eles nos dirigem a nós mesmos quando acordamos...mas sim, tudo são fases e como estamos acompanhados pelo EU pessoal umas vezes sorrismos e outras choramos, por dentro e por fora.
P.S. Já te disse que escreves excepcionalmente bem?! ;p
P.S.: Qual é a cor do teu casaco hoje?
A realidade raramente é como desejamos.
Mas sem desejos o que somos?...
Hoje estamos em baixo, nas nos anima. Mas tudo muda, assim que o queiramos. Não é um processo automático, lava o seu tempo, requer o seu espaço, mas tudo muda...
A vida têm me ensinado muita coisa, uma delas é que as pessoas raramente são o que demonstram ou tentam demosntrar. Aprendi isso com os outros e ctambém comigo mesmo.
bjs
Su:O nosso eu ás vezes prega-nos umas partidas, chegando ao ponto de pensar que é ele o nosso próprio ladrão/anjo. E não será mesmo?
Nunca disseste e é óptimo ouvi-lo. Não sou a única ;)
O meu casaco hoje é preto. Mas hoje consigo contrastá-lo comigo :)
Pipq Shadow: E para inserires o comentário neste contexto é porque relacionas estas fases más com desilusões de alguém. Tudo passa, desde que nao nos desiludamos a nós próprios.
Beijinhos
"Afinal, quem sou eu sem mim?" Vai quase ao encontro do: "se eu não gostar de mim quem gostara'??"
Ainda bem que essa fase negativa passou =)
Beijinhoooo*
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